terça-feira, 31 de agosto de 2010

Engenharia de Gestão em Saúde

Essa especialização já há algum tempo vem crescendo no mercado de saúde americano. Como o mercado de saúde dos americanos é bem diferente do nosso a competitividade lá nos hospitais é tão presente quanto nas empresas, quem não se qualifica fica para trás e perde mercado.
Quando os maiores nomes em administração hospitalar do norte da América sentiram a necessidade de melhorar os processos na saúde imediatamente buscaram benchmark na indústria, essas duas áreas já namoravam a algum tempo, sempre partindo da comunicação de industrias fabricantes de materiais (Siemens, White Martins) que forneciam para os grandes hospitais e exigiam em troca que os processos dos seus clientes funcionassem tão bem quanto os seus. Assim, muitos ofereciam a capacitação necessária para essa qualificação.
Porém, o grande boom da engenharia de gestão em saúde emergiu da prática Lean dentro de hospitais. Com processos complexos, que envolviam custos, atendimento médico, qualidade e a necessidade do erro zero (!) a área hospitalar era um prato cheio para Sistemas Toyota e Six Sigma.
A partir da capacitação dos primeiros estudiosos na área em seguida vieram seus pupilos e consequentemente as universidades americanas já ofereciam cursos voltados a essas áreas. A partir daí a bibliografia só cresce e mais e mais estudos são desenvolvidos diariamente, hoje já em um alto nível de resultados.
E no Brasil? O que se tem feito nesse sentido?
A saúde no Brasil é muito diferente da americana, aqui contamos com uma assistência pública eficaz (?) e planos de saúde que cobrem qualquer tipo de evento. Poderíamos encerrar o assunto e partir pro próximo, assim como muitos envolvidos com administração da saúde no Brasil fazem, virar para o lado e dizer: - Isso não vai funcionar aqui.
Minha opinião pelo contrário é de que aqui no Brasil a utilização de ferramentas de engenharia na gestão de hospitais é ainda mais necessária. Imaginem a aplicação das ferramentas Lean em uma emergência do SUS? Claro, resolver o problema provavelmente não resolveria, mas melhorias com certeza poderiam ser feitas. Assim como nas emergências em muitas outras áreas podem ser utilizadas: Ocupação do Bloco Cirúrgico, Faturamento da Conta, Fila de espera para realizar exames de imagem, Entrega das refeições nos quartos, Lavanderia e muitas outras. Sem contar com a melhoria da qualidade e a busca pelo zero defeito.
Existe um mercado que exija mais zero defeito que a saúde?
Acho que é um mercado em expansão que deveria ser mais explorado pelos gestores de saúde, uma área que só tem a crescer na administração de hospitais!

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